
Por FABIANA MONTE, DA COMPUTERWORLD
É difícil estabelecer quanto uma empresa gasta para fazer a migração de sistema operacional. Especialistas ouvidos pela Computerworld afirmam que é delicado fazer essa estimativa porque o valor varia em função de diversos aspectos, como número de máquinas envolvidas e complexidade do ambiente computacional, entre outros fatores. “Não é barato, porque o sistema operacional é o coração do negócio”, observa o responsável pela área de tecnologia da consultoria Everis no Brasil, Felipe Dáguila.
Por isso mesmo, é necessário identificar, claramente, quais ganhos a corporação terá ao fazer a substituição, seja em aumento no nível de segurança, novas funcionalidades do novo sistema operacional ou por exigência das necessidades do negócio. É preciso fazer a conta fechar. “Migrar por migrar não faz sentido”, ressalta o diretor da área de tecnologia da informação da consultoria Accenture, Ricardo Chisman.
No grupo Doux, cerca de 900 dos 1,2 mil computadores utilizam o Windows XP como sistema operacional padrão. As outras 300 máquinas ainda usam o Windows 2000, porque foram licenciadas com ele e não tinham requisitos de hardware suficientes para rodar o XP. A empresa optou por não aumentar essa capacidade. A decisão foi mantida quando a Microsoft apresentou o Vista, que não conquistou espaço na empresa do ramo alimentício. “Não ficou claro o benefício da migração para o novo sistema operacional”, conta Nicolela.
“Hoje, nosso sistema é basicamente XP e ele nos atende tão bem que a última avaliação que fizemos foi no início do ano passado, quando compramos um lote grande de notebooks”, conta Carelli, responsável por um ambiente com 750 computadores.
A ainda grande penetração do Windows XP no mercado corporativo atrapalha mas, ao mesmo tempo, incentiva a migração para o Windows 7, principalmente a partir de 2010 e 2011. Como a Microsoft anunciou que dará suporte ao XP até 2014, os CIOs que optaram por pular o Vista ainda têm um ou dois anos para decidir pela migração para o Windows 7, de forma a concluir o processo ainda dentro do prazo de suporte do XP.
O gerente de tecnologia da informação do grupo Doux diz que, ao avaliar a possibilidade de trocar o sistema operacional, ele considera, em primeiro lugar, se o fabricante mantém o suporte e as atualizações de segurança para a versão atual. “Se tem, minha preocupação em fazer a migração é menor. Mas chega uma hora em que isso é crítico”, admite Nicolela.
O executivo viveu na prática a necessidade de mudar para uma versão mais recente do sistema operacional em 2007, quando cerca de 50 máquinas da empresa ainda funcionavam com Windows 98. Os computadores foram alvo de ataque de vírus, devido a fragilidades de segurança do antigo sistema operacional.
O gerente geral da divisão Windows da Microsoft Brasil, Alessandro Belgamo, diz que a fabricante não indica prazo para que as corporações dêem início à migração para seu próximo sistema operacional. Segundo ele, essa decisão varia em função do próprio perfil do CIO e, é claro, das necessidades da empresa. “Incentivamos a adoção do Windows 7 porque esta é a tecnologia mais moderna, passou por todos os testes de qualidade, por diversos feedbacks de milhões de pessoas espalhadas pelo mundo”, diz Belgamo.
A rejeição sofrida pelo Vista deu-se devido a deficiências do sistema operacional em relação à compatibilidade de hardware e software. É fato que, a cada nova geração, os sistemas operacionais exigem recursos de hardware mais parrudos. Além disso, depois de sete anos de existência do Windows XP, a configuração dos computadores disponíveis no mercado era praticamente padronizada e nivelada para rodar o sistema operacional. Com o Vista, a exigência em relação a essas necessidades aumentou drasticamente. “O comum encontrado nas lojas eram máquinas com 256 MB de memória. Estávamos olhando para frente”, justifica o gerente geral da divisão Windows da Microsoft Brasil.
A Microsoft garante que esse problema foi solucionado no Windows 7. De acordo com Belgamo, uma das preocupações no desenvolvimento do novo sistema operacional foi garantir um desempenho melhor – o que está ligado não apenas a exigências de hardware, mas ao funcionamento da plataforma como um todo.
Em síntese, o Windows 7 é mais “inteligente” que o Vista. Ele é capaz de identificar se uma porta USB não está em uso, desligando-a automaticamente. Com isso, a energia que seria usada para manter a porta em funcionamento é poupada, garantindo maior duração da bateria de notebooks, por exemplo. “Isso também é desempenho e melhoria. É fruto de pesquisa”, destaca Belgamo. Por ano, a Microsoft investe cerca de 9,5 bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento – não só no Windows, é claro.
Já que o Windows 7 é mais parecido com o Vista do que com o XP, a migração para o Windows 7 será mais fácil para quem aderiu ao Vista? Em geral, quanto mais próximas as versões do sistema operacional, menos problemas ocorrem. Mas isso não é regra.
Tanto é assim, que a orientação da Microsoft é que a instalação do Windows 7 seja feita do início, e não como uma atualização de versões. No caso do Vista, é até possível que o Windows 7 seja instalado como atualização, já para o XP, obrigatoriamente o processo terá de ser feito a partir do zero.
Entre os aspectos que podem atrapalhar o avanço do Windows 7 no segmento empresarial, mais uma vez, está a crise. De acordo com o Gartner, na situação atual, em que orçamentos de tecnologia sofrem cortes, muitas corporações podem retardar o início do processo de migração para o Windows 7 até o primeiro semestre de 2011.
“Em geral, colocamos mais atenção para garantir que tenhamos continuidade em termos de aplicações. Isso vale tanto para a migração de versões quanto de diferentes sistemas operacionais”, diz Ricardo Chisman, da Accenture.
Também é necessário avaliar se a configuração de hardware dos computadores em uso tem fôlego suficiente para funcionar com o novo sistema operacional. Uma migração do Vista para Windows 7 é menos sensível à questão de hardware, porque a necessidade dos dois sistemas é semelhante. Em relação XP, os requisitos de hardware são maiores. “Agora temos um parque de máquinas mais novo e compatível com o Vista e, consequentemente, com o Windows 7”, analisa Belgamo.
Segundo a Microsoft, 10 mil parceiros de hardware e software da empresa avaliaram as versões evolutivas do Windows 7, sugerindo alterações e dando comentários. E parte desse trabalho contemplou analisar a compatibilidade com dispositivos e aplicações.
O gerente geral da divisão Windows da Microsoft Brasil afirma que, atualmente, a taxa de compatibilidade do novo sistema operacional com softwares globais de grandes fornecedores varia de 95% a 97%. Além disso, a Microsoft decidiu trazer para o Brasil uma iniciativa mundial chamada “Application Compatibility Factory” (Fábrica de Compatibilidade de Aplicações), que trabalha em conjunto com desenvolvedores locais para garantir a compatibilidade dessas aplicações com o Windows 7.
Com foco em parceiros ainda menores, a Microsoft Brasil criou a Application Compatibility Academy (Academia de Compatibilidade de Aplicações – ACA) que realizará treinamentos, road shows e oferecerá cursos online de capacitação.
Para estimular as corporações a deixarem o XP para trás e adotarem o Windows 7, as versões do novo sistema operacional voltadas para o mercado corporativo contam com um recurso que emula uma máquina virtual onde aplicações compatíveis apenas com o XP podem rodar. A solução é chamada de XP Mode e de Microsoft Enterprise Desktop Virtualization (MED-V), respectivamente, nas versões Professional e Enterprise.
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